NEAD e UFMG inauguram Caminhão Museu Sentimentos da Terra

14/03/2013 17:55

 

NEAD e UFMG inauguram Caminhão Museu Sentimentos da Terra

Foto: Álvaro Starling

Uma exposição que percorrerá o país contando a história das lutas do povo brasileiro pela terra e pelos seus direitos é o mais novo resultado da bem sucedida parceria entre o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (NEAD/MDA) e o Projeto República da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Juntas, as instituições inauguram um museu diferente, abrigado em um caminhão moderno que vai cruzar as estradas brasileiras e se desdobrar em um centro de lazer focado na educação e na consciência crítica. É o Caminhão Museu Sentimentos da Terra, que será aberto ao público pela primeira vez em Belo Horizonte (MG), nesta quinta-feira (15).

A inauguração, que acontecerá no campus da UFMG, terá a presença do diretor do NEAD, Roberto Nascimento, da coordenadora do Projeto República, Heloísa Starling, e do renomado arquiteto e designer Gringo Cardia, responsável pelo projeto museográfico e pelos vídeos da exposição.

Memória da reforma agrária 
Sentimentos da Terra lança luz a debates, ideias e personagens, revisitando acontecimentos muitas vezes já esquecidos. A exposição busca mostrar que, através da nossa história, há um legado de lutas heroicas que resgata ideais do povo pela sua liberdade, justiça, e por seu bem estar. Sentimentos da Terra quer também valorizar as expressões culturais e a diversidade do meio rural.

Os temas e personagens escolhidos para a exposição procuram mostrar todas as matizes da luta pela terra. O público vai então entender, por exemplo, como se deu a participação da Igreja nesse processo, de movimentos como o dos Trabalhadores Sem Terra (MST), das Ligas Camponesas, como foi a atuação dos sindicatos, entre outros. A legislação agrária e a repressão política no campo também são temáticas abordadas.

Projetos que articularam formas inovadoras de educação, com inclusão de cultura popular na conscientização dos trabalhadores do campo, são abordados no Caminhão Museu com o Movimento de Educação de Base, do Movimento de Cultura Popular e do Centro Popular de Cultura da UNE.

Narrativas com arte e tecnologia 
O Caminhão é equipado com tecnologia de ponta de informação e entretenimento. O “coração” do Museu são os 11 vídeos que contam a história da luta pela terra, exibidos em duas salas. Narrados pelos artistas Caio Blat, Chico Buarque, Dira Paes, Gilberto Gil, José Wilker, Letícia Sabatella, Maria Bethânia, Regina Casé, Seu Jorge, Vera Holtz e Wagner Moura, usam técnicas modernas de computação, que transformam imagens, documentos históricos, ilustrações, desenhos e pinturas em maquetes 3D e animações.

A principal inovação está na linguagem, que se baseia em textos de pesquisadores e documentos históricos para oferecer um conteúdo denso, com rigor acadêmico, mas acessível a todos os públicos. “Acreditamos na força dessa nova linguagem e esperamos que ela seja capaz de mobilizar todos os lugares por onde vamos passar, sejam eles assentamentos, pequenos municípios do interior do Brasil, ou capitais. A proposta  é apresentar conteúdo de qualidade, com leveza, mas sem esvaziar a questão política”, destaca Pauliane Braga, integrante da equipe de coordenação do Projeto Sentimentos da Terra.

O caminhão possui ainda um espaço com seis computadores e acesso à Internet, um monitor touchscreen interativo, biblioteca com livros sofisticados sobre arte, fotografia, geografia, histórias, costumes e tradições. Os mediadores receberam uma capacitação especial para atuarem também como contadores de histórias caracterizados, montando maquetes e cenários.

Após a inauguração em Minas Gerais, “Sentimentos da Terra” passará por Brasília, tendo sua abertura no dia 4 de abril. Em breve será divulgada a turnê das primeiras viagens do Caminhão Museu.

Histórico da parceria 
Em 2004, o NEAD identificou uma lacuna na forma de disponibilização de material sobre a história da luta pela reforma agrária brasileira. Foi identificado que houve eventos muito importantes nesse processo, mas que seu registro estava disperso, e os acontecimentos não estavam fixados na memória nacional. Assim, o NEAD propôs ao Projeto República, ligado ao Departamento de História da UFMG, a construção de um projeto conjunto para recuperar essa memória. Assim teve início o projeto “Sentimento de Reforma Agrária, Sentimento de República”, que passou a estudar o tema a partir das diferentes tradições do pensamento social brasileiro.

Hoje, “Sentimento de Reforma Agrária, Sentimento de República” é uma linha contínua de pesquisa do Projeto República. Possui mais de 20 alunos participantes, entre graduandos, alunos de mestrado e de doutorado. Realiza pesquisas em todo o Brasil, em acervos públicos e privados, e trabalha com documentos, além de acervos de iconografia, vídeos e áudio. A ideia do Caminhão Museu Sentimentos da Terra surgiu com o objetivo de ampliar ainda mais o alcance da pesquisa entre NEAD e UFMG, utilizando todo o know how adquirido ao longo do anos  e criando novos suportes e novas linguagens para divulgar o histórico e a memória da luta pela terra no país.

Fonte: http://www.mda.gov.br